terça-feira, 21 de junho de 2011
Programa de Capacitação de Conselheiros: a Escola dos Cordeirinhos?
Nesta 5ª Conferência Municipal de Saúde de São Caetano do Sul, surgiu a proposta de se criar um curso de capacitação de conselheiros. Achei a ideia brilhante.
Aliás, um conselho que não possui formação básica em políticas públicas de saúde não serve para nada. Por isso, a proposta é muito boa e tem de ser privilegiada.
Mas, vejam, formar conselheiros de saúde significa dotar essas pessoas de capacidades e de informações necessárias e suficientes, a fim de que possam fazer juízo a respeito do que opinam e deliberam. Essa capacitação serve ou, pelo menos deveria servir, para que nós, conselheiros, possamos exercer com autonomia nossas atribuições.
Acontece que não é possível ensinar pessoas a pensar, com autonomia sobre políticas de saúde, privilegiando-se a visão e a interpretação de quem quer que seja, em detrimento de uma série de outros modos de se ver a realidade.
Ao contrário disso, os regimes, as normas e os fatos sociais precisam ser expostos e pensados, a partir de um modelo pluralista, que permita que gestores exponham seus pontos de vista, mas que também admita neste espaço público de formação os representantes dos movimentos sociais e seus modos de ver a realidade da saúde no nosso Município.
Um curso de formação em políticas de saúde requer a composição pluralista do corpo de instrutores. Não se formam cidadania e autodeterminação, banindo-se desse espaço público os representantes da sociedade civil.
Capacitar conselheiros de saúde, a partir de uma “fonte oficial” e privilegiada significa formar um corpo morto, fadado ao assentimento alienado e à resignação.
Isso é arremeto de formação, é manipulação disfarçada de capacitação!
Imagino que essa Administração não queira isso, mas a 5ª Conferência pôs-me uma pulga atrás da orelha.
Parece-me que há quem queira transformar nosso Conselho Distrital num instrumento inócuo e subserviente; por isso, convido os Conselheiros que representam a sociedade civil – e todos os demais -, a uma reflexão séria sobre o assunto.
Nosso Conselho Distrital é perfumaria? Não penso que os colegas pensem assim. E é por esse motivo que insisti neste ponto, durante a Conferência. Não o fiz por emulação, não o fiz para ser inconveniente, mas para que este meu posicionamento sobre a questão fique bastante claro.
Um abraço fraternal a todos.
Paulo Benevento
Conselheiro do Bairro Santa Paula
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